quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dunken Blume

As garotas da minha idade.(Rosas deturpadas).

E eu olhava as garotas daquela turma com um pequeno desgosto, como quem admira uma estátua sem rosto.
Pequenas, frágeis, decadentes. Pequenas rosas covardes, covardes demais para mostrar o seu aroma, mas estúpidas o suficiente para se encantar pela própria beleza.
[...].
E as rosas se perfumavam, se maquiavam... Entorpecendo a luz de suas vestes escarlates, para decair na heterocromia de uma vida sem graça.
Bach, Mozart, Chopin... Teriam eles sentido o mesmo desgosto? Essa raiva mesclada a uma insensatez digna de sala de aula... Pergunto-me que melodias tristes eles tirariam disso.
Beijos sem gosto, sorrisos sem vida e abraços frios. Toda a frieza cabível no ínfimo espaço entre aqueles seios palpitantes e meu tórax esmagador.
Violentamente sedutoras essas antíteses românticas não deixavam se ser rosas, rosas que poluem o jardim de qualquer poeta. Com toda a sua graça infame, seu vazio repleto de um conteúdo inútil, elas se multiplicam na velocidade da ignorância, na mesma freqüência em que a ganância corrompe e distorce qualquer chance de sobrevivência. Rosas vivas, rosas para os mortos. Acho que tudo começou nesse ponto, na intercessão entre o jardineiro solitário e a rosa ordinária.
Se possível esse texto deveria ser lido de trás pra frente, da mesma forma como elas se destroem, desabrochando de fora para dentro.

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