sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Não é pra ler.

Se eu pudesse medir cada palavra que eu já escrevi em peso, seria o suficiente para deslocar a terra de seu eixo. No entanto eu não sinto beleza, nem prazer no que eu escrevo.
Existia sofrimento, uma carga muito grande de dor. E como todo sentimento tem a sua beleza, às vezes eu sinto falta de toda aquela atmosfera sombria, de pensar em suicídio, de ver o mundo como os olhos de espectador, e não de alguém que está vivo.Atualmente estou vivo, e isso é assustador. Estar morto para o mundo é relativamente fácil, deixando apenas que as pessoas mais indignas atravessem sua camada de gelo, e poder dizer ao mundo que sofre.
Sofrer é muito fácil. Se alguém te diz que está sofrendo e a vida está difícil, esse alguém é um mentiroso. Difícil mesmo é sorrir, acordar e sentir prazer no que está acontecendo, buscar sempre algo mais profundo, porque se enxergarmos tudo como realmente é, nós ficaremos cegos.
À medida que escrevo esse texto meu coração vai se atordoando um pouco com as mágoas que povoavam a minha existência. Será que foram as companias, será que foi a dificuldade de auto-compreensão, ou a necessidade de ser diferente dos demais? Eu ainda sinto prazer em coisas obscuras, decadentes. Será uma simpatia pela morte?
É complicado demais... e isso tudo porque eu sou clichê. Se fosse um vanguardista, seria ainda pior. Posso me apoiar na tuberculose de Azevedo para sobreviver. Mas sei que no fundo eu amo a vida, só não consigo aceitar as coisas como estão. A vida em si é boa, a minha vida específicamente, e o modelo de sociedade é que estão pesando contra.
E aí é que entra, essas personalidades em conflito, e uma profunda decadência pelo sofrimento... Uma vontade de ter aquela dose de veneno em tudo para poder sentir o mundo de uma forma só minha. De retornar aos amores horrendos, as paixões medíocres e exaltadas pelo profundo senso anti-criativo de romantismo.
Enfim, esse texto é um desabafo e não tem nada demais, não leiam.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O gosto do inverno.

Olhou para a rua,
Sentiu um breve arrepio
Calculou a altura
Mas agora é inverno
E o tempo seco lhe disseca o olhar.

Viu uma arvore caída,
Pensou nas flores carinhosas
Mas agora não havia
Afinal, porque haveria?
Petálas cor-de-rosa.

O Sol parecia rir-se
Tão paradoxal e ausente
Iluminando uma borboleta
Que beijava uma flor morta,
Com uma paixão incandescente.

Sorriu e viu o chão
Sentiu um doce concreto
o gosto do inverno
Ele olhou uma vez,
E na última. Escuridão.

Aquarela de morfina.

Quase uma pintura
Andando através
Do sofrimento a cura
Silêncio sobre os pés.

Formas tão ausentes
Como pequenos rios
Escorrem da mente
Pelos olhos vazios.

Vaga a proucura
De lábios latentes
Que rasguem penumbra.

Larguei os pincéis
Pois a obra caminha
Silêncio sobre os pés.

Vagar dos bêbados

Sentimentos que vagam trôpegos,
Sempre em busca d'outra amada
São errantes como os bêbados
Que se amontoam nas ruas da Lapa.

Andarilhos pobres e sem rumo
Esbarram numa e noutra vontade
Acordam do sonho em susto
Pensam que nada foi verdade.

-

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Hermétique, outubro de 2010. Direitos Revervados.

O mundo não era o suficiente para mim,
Eu tinha amigos, eu tive amores
Mas nada me fazia sentir o que eu queria sentir.
Eu vi os medos, as frustrações, e os temores
Brilhando nos teus olhos de Rubi.
Marejados de lágrimas, marcadas.

O mundo não era o suficiente para rir,
Das mesmas piadas, dos ocasos frequentes
Tudo erra mesmo um pouco recorrente
E no teu colo eu vi o tempo dormir,
Marejado de largas escalas.

Por isso larguei toda a estética,
Larguei a poética e a dialética.
Se não tive no mundo lugar para carpir
As marcas belas dessa paixão Hermética.
Se não tive no mundo tal lugar enfadonho,
Então larguei-o, sim,
Para poder viver em sonho

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Saudade.

Encontrei uma menina que me lembra você,
O jeito pouco e louco de se viver,
O sorriso aberto e sagaz que grita
Ei mundo, eu estou aqui.

Encontrei uma menina que me lembra teu jeito,
Essa perfeição em quebrar o imperfeito
Esse teu intransitivo sem sujeito,
Essa tua subversão inversiva, ah eu queria
Não ter encontrado essa menina.

Encontrei uma menina que me lembra as tardes,
Em que discutíamos o futuro dos astros
O passado dos Holocaustos
Encontrei uma menina que me lembrou o fato
De não estar mais ao seu lado.
Encontrei uma menina chamada saudade.

Alleine.

Fuga.

Deixei que as dores sufocassem,
A prima aurora de meus dias
Deixei morrer na alma a imagem
Das mais amargas elegias.

Como pranteiam então meus versos,
Pois eu sei que jamais amarei
Sou apenas um poeta desconexo
Da realidade que eu mesmo criei.

Não vou deixar que olhos de ousadia,
Nem mesmo teu nome seguido de astro
Venha buscar no meu peito o espaço
Que duramente endureci com poesia.

Não vou deixar-me amar denovo,
Pois sou o mais baixo e louco
Sou o último estágio de carbono
Na mais pobre molécula do outono.

Sou o último da espécie utópica,
Que encerra sua jornada valorosa
Através dos dias, amargos infinitos
Através dos amores, eternos castigos.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dezoito anos.

Eu nunca fui o melhor em nada,
Acho que eu poderia bem
Cair numa tumba lacrada
E viajar para o além.

Eu não faço a menor falta,
Tampouco quis fazer.
Fui ferro e também navalha
Tratei minha vida com desdém.

Dezoito anos, de sobriedade
Um maldito tédio interrompido
Pelos poucos e raros ruidos
De felicidade, hahahaha.

Não, eu não gosto de viver
Mas eu quero sim, poder
Ver aonde essa merda vai dar.

Burn Your Eyes.

Vadia sistêmica.



Advinhe quem você é?
Outro buraco no caminho
Uma pedra para tropeçar,
Um tombo pequenininho.

Advinhe quem você é?
Apenas uma dessas iguais
Apenas mais um lixo social
Uma daquelas bem banais.

Advinhe quem você é?
Uma burguesinha imbecil,
Que puxa o seu baseado
Para levar tiro de fuzil.

Eu preferia, muito
Você morta.
Se não fosse ocupar
Espaço no cemitério lotado
De outras, idiotas
Iguais do seu lado.

domingo, 18 de julho de 2010

Olhos Mortos.

Olhos Mortos.

Não existe saída para mim,
Eu que quis tanto sonhar
Acabei como um serafim
Sem asas para poder voar.

Não existe qualquer meio,
Que eu possa fazer entender
As cicatrizes no meu peito
Marcas de um eterno anoitecer.

E se vier comigo, eu aviso
Não tenha medo do sofrimento
Quando os seus pensamentos vagos
Quebrarem como vidro.

Amado não posso ser,
Muito menos querido.
Eu sou a própria imagem
Do patético anjo caído.

Eu sou esses clichês,
Vagos e baratos de jornal
Não cabe a mim dizer
Se sou bom, ou mal.

Eu existo porque devo existir,
Alguém deve questionar
E fazer o mundo submergir
Na profunda decadência de um único,
Olhar.

sábado, 3 de julho de 2010

Dúvidas.

O que mede um amor,
É o tempo que ele dura?
Acho que é impossível dizer
O que é eterno ou não,
Durável ou não.

Talvez seja a intensidade,
Se for assim mil amores eu vivi.
Mas se tivesse vivido,
Tal vazio aqui não existiria.

Afinal, o que é o amor
Será que ele existe?
Não sei, nunca saberei.
Apenas vamos viver
Cada segundo de nossas vidas
E deixar as respostas para uma próxima,
Quem sabe.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Quem sabe medir o fogo das paixões...
Quem pode medir o tamanho dos sonhos
Quem pode saber o quanto vale uma vida.


Estranho,


Pois passamos a vida toda tentando medir tudo, tentando encaixar tudo perfeitamente mesmo sabendo que isso é impossível, seja buscando uma felicidade, paz ou até mesmo reconhecimento.
Eu, felizmente... Vou provar que isso é impossível.
Afinal, as coisas que mais nos afetam
São as impossíveis de serem medidas.


Let's put some fire on the circus.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O que se é preciso?

Heresia.

Permaneço estático, atento
Nessa doce queda que é a vida,
Menina, se soubesses
Que amar não pode, o vento.

Seria um acaso,
Eu lhe entrego em pedaços
O que restou dos nossos erros.

Seria um descaso,
Eu me mostro um retalho
Da colcha dos meus medos.

Não vejo, não como, não digo.
Nada mais pode ser digerido
A verdade incólume permanece inalterada,
Até a hora de ser excretada.

Sempre sozinho, sou
Sempre sozinho eu sou
Sempre sou sozinho, eu sei
Q'adianta ser Rei
De um reino vazio?

A coroa vira uma piada,
Fantástica piada
Que permacerá inalterada
Até a hora de todos darmos risada.




Hahahhahahahahha.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Aurora Sublime.

Um novo amanhecer
Escondido atrás de cada palavra
A solidão passa a não ter,
Aquela mesma importância.

Todo um homem perdido,
Ilusões, medos e amigos.
Por trás de uma aurora sublime
Eu vejo o mundo girar.

Gire comigo,
Rode, dance ou esqueça.
Eu já não ligo
Pode ir, sou forte.
A solidão e o nada
São compania.

Toda uma vida,
Curta e interrompida.
Por lâmpejos de escuridão.
Sigo a rota esculpida
por minhas próprias mãos.

Por trás de uma aurora sublime,
Cego de luz, proucuro uma calma
Que simplesmente não existe.
Eu vejo o mundo, que persiste
Em refazer a mesma jornada.

Cada palavra, um ruído
Eu vejo uma vida abandonada
Ter novamente um sentido
Vêm comigo, Ah,
Eu já não ligo.