sábado, 27 de junho de 2009

A tristeza. (Parte III)

Não se trata de medo, ou de covardia. É apenas uma defesa, um resquício de um passado afundado na lama, que grudou em nossas botas e agora espalha sujeira em todo lugar. Eu não sei como cheguei aqui, também não sei como sair. Mais uma coisa é certa, eu não irei desistir.

Suicídio.

A falsidade me enoja cada vez mais.
O repúdio a própria vida é uma rotina.
O contraste entre a dor e a felicidade ruiu,
Tudo hoje não passa de agonia.

O suicídio é cada vez mais sedutor,
O rum amargo que afaga a dor.
O meu peito reza orações proibidas,
O afã de tristeza me domina.

Rasgue a alma em mil pedaços,
E cada um deles terá uma sina.
Cada um deles será uma parte da cortina,
Que esconde do público a tragédia mais bela.

Morte sente ao meu lado.
Tome uma xícara de café frio
A peça mais deprimente irá começar,
Estrearei o palco vazio.

O palhaço -que se faz de poeta dirá,
Que tentou, que tentou amar,
Como uma marionete quebrada tenta
Imitar...

Encenando as falas
Dentre vós tão bem conhecidas,
Que calem a dor, que matem as fadas;
Que toda dor vire morfina.

Chama-me, domina-me em teus braços!
O mais certo de todos os acasos.
Para uma última cena, o ultimo suplício.
O poeta cometerá suicídio.

"O que chamamos vida é uma verdadeira morte. A nossa alma só começa a viver quando, livres dos entraves do corpo, participa da eternidade e, de fato, as antigas tradições nos ensinam que a morte foi concedida pelos deuses imortais, como recompensa aos que eles amavam." (Cícero)

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