Ah, como o básico me surpreende. As vezes parece que eu vivo em uma condicional, uma prisão sem celas e sem grades que a minha alma criou para não me perder para o mundo.
*(Diário-fragmento)*
Suicídio II
Minha esperança é tão pequena.
Que não cabe nela as necessidades
Tampouco as ínfimas vontades
Para viver-se vida plena.
Então porque luto, insistente?
Permanecendo nesse estado
Eternamente encarcerado.
São grades, meus ossos.
São grandes, meus medos.
Meus músculos e nervos,
Sou intérprete dos mortos.
Então porque vivo, erroneamente?
Um pássaro sem asas trancado
Agonizante e dilacerado.
Minha vida é tão lúgubre,
Que não suporta a realidade
Tampouco a falsidade
Para viver no mundo ocre.
Se o poeta compreende o invisível, o que será que enxergo, senão solidão e trevas? Se a poesia é beleza, porque não me encanta? Aonde está o pranto que derrete a frieza? Eu sou um poeta ou apenas um otário, um qualquer enganado? Porque será que vivo ? Porque será que respiro ? Não sei....
Cara, acho que agora vou conseguir comentar. Essa é a oitava vez, but ok.
ResponderExcluir"Porque será que vivo? Porque será que respiro? Não sei..."
Caso isso te conforte: ninguém sabe. E tão alheios à esse conhecimento quanto nós, estão aqueles que fingem saber exatamente os motivos pelos quais nos colocaram (e nos mantém) aqui.
Percebo que por raros e breves momentos temos parcial consciência deles, mas logo evaporam-se.
Eis o mistério da vida, eis a vida de mistério.