sexta-feira, 26 de junho de 2009

A tristeza (Parte I)

Ah, como o básico me surpreende. As vezes parece que eu vivo em uma condicional, uma prisão sem celas e sem grades que a minha alma criou para não me perder para o mundo.
*(Diário-fragmento)*

Suicídio II


Minha esperança é tão pequena.
Que não cabe nela as necessidades
Tampouco as ínfimas vontades
Para viver-se vida plena.

Então porque luto, insistente?
Permanecendo nesse estado
Eternamente encarcerado.

São grades, meus ossos.
São grandes, meus medos.
Meus músculos e nervos,
Sou intérprete dos mortos.

Então porque vivo, erroneamente?
Um pássaro sem asas trancado
Agonizante e dilacerado.

Minha vida é tão lúgubre,
Que não suporta a realidade
Tampouco a falsidade
Para viver no mundo ocre.

Se o poeta compreende o invisível, o que será que enxergo, senão solidão e trevas? Se a poesia é beleza, porque não me encanta? Aonde está o pranto que derrete a frieza? Eu sou um poeta ou apenas um otário, um qualquer enganado? Porque será que vivo ? Porque será que respiro ? Não sei....

Um comentário:

  1. Cara, acho que agora vou conseguir comentar. Essa é a oitava vez, but ok.

    "Porque será que vivo? Porque será que respiro? Não sei..."

    Caso isso te conforte: ninguém sabe. E tão alheios à esse conhecimento quanto nós, estão aqueles que fingem saber exatamente os motivos pelos quais nos colocaram (e nos mantém) aqui.
    Percebo que por raros e breves momentos temos parcial consciência deles, mas logo evaporam-se.

    Eis o mistério da vida, eis a vida de mistério.

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