segunda-feira, 29 de junho de 2009

A tristeza. (Parte final).

A luta dos 100x1. (Mar de incertezas.)

Não há mais nada, nem sentimento, nem dor ou covardia. Os anseios resolutos entregaram as armas, não há mais guardas em frente ao meu coração. A tumba onde um dia se encontrou um poeta morto está vazia, os dias escuros que um dia povoaram minha existência deram-se por terminados. A magia, a dúvida, hoje já não machucam. Com a curiosidade de quem esquece algo importante e axa subitamente, eu reencontrei a vida. O suicídio deu-se por completo, aquele que um dia vos escreveu está morto. A poesia morta agora é poesia viva. A dor amarga hoje é a flor amiga. A vida passada jamais será esquecida, pois nem só de loucuras vive o poeta, mas também da realidade, que vai aos poucos colorindo o quadro da existência. A marcha dos 100 cessou, assim como o som do silêncio, que tapava meus ouvidos para o mundo.


Que a luz multiplique-se em vossos corações.
Assim seja.

sábado, 27 de junho de 2009

A tristeza. (Parte III)

Não se trata de medo, ou de covardia. É apenas uma defesa, um resquício de um passado afundado na lama, que grudou em nossas botas e agora espalha sujeira em todo lugar. Eu não sei como cheguei aqui, também não sei como sair. Mais uma coisa é certa, eu não irei desistir.

Suicídio.

A falsidade me enoja cada vez mais.
O repúdio a própria vida é uma rotina.
O contraste entre a dor e a felicidade ruiu,
Tudo hoje não passa de agonia.

O suicídio é cada vez mais sedutor,
O rum amargo que afaga a dor.
O meu peito reza orações proibidas,
O afã de tristeza me domina.

Rasgue a alma em mil pedaços,
E cada um deles terá uma sina.
Cada um deles será uma parte da cortina,
Que esconde do público a tragédia mais bela.

Morte sente ao meu lado.
Tome uma xícara de café frio
A peça mais deprimente irá começar,
Estrearei o palco vazio.

O palhaço -que se faz de poeta dirá,
Que tentou, que tentou amar,
Como uma marionete quebrada tenta
Imitar...

Encenando as falas
Dentre vós tão bem conhecidas,
Que calem a dor, que matem as fadas;
Que toda dor vire morfina.

Chama-me, domina-me em teus braços!
O mais certo de todos os acasos.
Para uma última cena, o ultimo suplício.
O poeta cometerá suicídio.

"O que chamamos vida é uma verdadeira morte. A nossa alma só começa a viver quando, livres dos entraves do corpo, participa da eternidade e, de fato, as antigas tradições nos ensinam que a morte foi concedida pelos deuses imortais, como recompensa aos que eles amavam." (Cícero)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A tristeza (Parte II)

A solidão é o ofício dos loucos por excelência, a poesia é o ofício dos loucos por vocação.*(Diário-framento.)*

Vampiro.

Como eu ousei,
Tocar no sangue do inocente?
Será que perdi,
O pouco que restava de gente?

A bebida que corre viscosa,
Tocando meus lábios carmim.
Atenua meu fim,
Prolonga minha vida morta.

Como eu ousei?
Beber de teu corpo o soluto
Será que enterrei?
Minhas dores, meu luto.

A tua existência perene,
Tua pele cor de âmbar
Há de viver para sempre
Em meu peito, teu lar.

Tua vida, tão curta.
Há de permanecer.
Nas veias obscuras,
De meu próprio ser.


Oh Morte, chegue mais perto. Escute o meu choro, o meu choro silencioso. Perdido no tempo, deixado para trás... O fim, o fim do sofrimento é tudo. Morte, chegue mais perto, e nos traga a vida... (DCNM- Drknn.)

A tristeza (Parte I)

Ah, como o básico me surpreende. As vezes parece que eu vivo em uma condicional, uma prisão sem celas e sem grades que a minha alma criou para não me perder para o mundo.
*(Diário-fragmento)*

Suicídio II


Minha esperança é tão pequena.
Que não cabe nela as necessidades
Tampouco as ínfimas vontades
Para viver-se vida plena.

Então porque luto, insistente?
Permanecendo nesse estado
Eternamente encarcerado.

São grades, meus ossos.
São grandes, meus medos.
Meus músculos e nervos,
Sou intérprete dos mortos.

Então porque vivo, erroneamente?
Um pássaro sem asas trancado
Agonizante e dilacerado.

Minha vida é tão lúgubre,
Que não suporta a realidade
Tampouco a falsidade
Para viver no mundo ocre.

Se o poeta compreende o invisível, o que será que enxergo, senão solidão e trevas? Se a poesia é beleza, porque não me encanta? Aonde está o pranto que derrete a frieza? Eu sou um poeta ou apenas um otário, um qualquer enganado? Porque será que vivo ? Porque será que respiro ? Não sei....

domingo, 21 de junho de 2009

Bittersweet. Alleines Leben.

"Break this bittersweet spell on me,
Lost in the arms of destiny."


Bittersweet.

Ainda que fosse possível prender-se a corrente tão frágil da vida humana, estaríamos fadados a tristeza. Ainda que fosse possível mover o mundo, ficariamos parados, esperando que de alguma forma as leis se alterassem, e numa adoração a nossa inexistência, ergueriamos altares a nós mesmos, e brindariamos a nova religião mundial. A religião da ganância.
A vontade irracional congela o homem, o desejo irreal corrompe o homem. A virada do século XXI nos trouxe um olhar cada vez mais profundo, um olhar profundo para o nada.
Ser heróico é ser banal, render-se ao sistema, por nós tão bem aprovado. Preferimos negar o prazer de uma existência superior, e alimentamos o nosso ego com críticas algozes de sonhos, de esperanças.
A ganância modificou o homem de tal forma que os desejos e anseios não existem, existe apenas o que o sistema quer, a vontade dos homens, a liberdade pela qual nossos antepassados derramaram sangue hoje é vendida a preço de merda. Trocamos a nossa felicidade por uma hora de comercial, e talvez quando o programinha ja estiver no fim, nós então iremos parar e nos perguntar, aonde estamos indo ? Alguém realmente sabe ?
Como vocês, meus amados irmãos, eu estou submisso ao mundo, eu estou preso na teia do capitalismo, que passou a controlar o que tinhamos de mais forte, a nossa vontade. E passou a anular o que nós tinhamos de mais precioso, o nosso pensamento.
Meu peito é sufocado, enterrado nas areias do tempo, que não nós dá tempo para nada.

Aonde estamos indo ? O que queremos ?


Será que realmente queremos alguma coisa ???????



Que lúcifer vos ilumine,
Au Revoir.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Agnus Dei. Carpe Noctem. Carpe Silentium.

Talvez.

Talvez a melhor forma de ser escutado, seja ficar em silêncio. Talvez os maiores pecados residam no silêncio entre duas orações. Talvez ser sacrificado seja mesmo em vão, e não faça diferença multiplicar o pão. Talvez estar alterado seja mesmo inspiração, e todos os versos sejam feitos de ilusão. Talvez o mundo gire por medo de ficar parado. Talvez a menina sorria porque ela quer mesmo ficar ao seu lado. Talvez o melhor acaso seja mesmo o inesperado, talvez o melhor amigo seja mesmo o que está ao seu lado.
Vamos agradecer a Deus pelo talvez. Talvez seja mesmo uma graça. Talvez.

Believe.

Alleine Zu Zweit!

Desamor de um bar.(paixão etílica.).


Quem sentiria a falta?
De um intérprete que bebe,
Ao seio da escuridão uma flor alva.
Quem sentiria a falta
De um sorriso
De uma garçonete
Quem abandonaria o paraíso?

Quem estaria a pensar?
Nos meus medos e na vertigem,
Que move o mundo e congela o lar.
Aonde vive...
Quem amaria
Um garoto triste
Largado num bar?

Quem moveria as peças
Desse jogo tão conhecido
A corda que suspende
O peito reprimido?
Quem perderia o juízo
Quem escreveria o verbete
De felicidade em um poema carpido?

Quem beijaria o louco?
E sentiria o amargo gosto
Da verdade.
Quem abandonaria o pouco
E sentiria no rosto o sopro
Da saudade?


--
O vazio e unidade juntaram-se
Ao ponto de partida de uma chegada inesperada
Cerveja gelada dois copos de bebida
Ferida esquecida caipirinha e cachaça.

O vazio e a unidade resolveram,
Ao ponto de uma chegada para uma partida futura,
Partida repleta de devaneios e pequenas repartições
O vazio mostrou o nada, e a unidade as ilusões.

O vazio e a unidade beberam,
Discutiram argumentaram e discutiram
E há quem diga que entre o primeiro e o terceiro cigarro
Eles evoluiram.




Volles leben, volles leben.

Pakah !

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Alleine.

Viver.

É cruel
Ter que levantar a cabeça
E se orgulhar
Do que você mais quer que desapareça.

É a vida.
Implacável, maquiavélica.
Poesia,
Amada bélica.

É o fim
E o inicio também
Alguns versos
Pouco vintém.

É o suicídio,
Doce. Sedutor.
A ultima dose,
De licor.

É cruel,
Continuar vivendo
Enquanto
O mundo a sua volta está morrendo.

Enquanto não vem,
A sorte.
Da morte.
Eu faço uma rima pobre,
Amém.

Alleines Leben.

Desabafo Sincero.

Eu queria não ser tão sozinho,
Eu queria estar sempre errado,
Será que é algum pecado
Pedir um pouco de carinho?

Disse uma vez um anjo,
Rapaz de cabelos cacheados
As necessidades nem sempre,
São as mesmas que os desejos.

Eu queria que ele também,
Estivesse errado.
Eu só queria alguém,
Aqui do meu lado.

Eu queria prender o ar,
Até meu peito parar de bater,
Até o mundo parar de girar.

Eu queria tanto
Mas não quero nada.
Basta um pouco de rock,
E uma cerveja gelada.

Eu queria o mundo todo,
Ou só um pouquinho.
Preferiria até ser louco
Só pra não ser sozinho.


Nous seron ensemble quand la nuit tombe.
Manquez Eternelles, Engel.

Dunken Blume

As garotas da minha idade.(Rosas deturpadas).

E eu olhava as garotas daquela turma com um pequeno desgosto, como quem admira uma estátua sem rosto.
Pequenas, frágeis, decadentes. Pequenas rosas covardes, covardes demais para mostrar o seu aroma, mas estúpidas o suficiente para se encantar pela própria beleza.
[...].
E as rosas se perfumavam, se maquiavam... Entorpecendo a luz de suas vestes escarlates, para decair na heterocromia de uma vida sem graça.
Bach, Mozart, Chopin... Teriam eles sentido o mesmo desgosto? Essa raiva mesclada a uma insensatez digna de sala de aula... Pergunto-me que melodias tristes eles tirariam disso.
Beijos sem gosto, sorrisos sem vida e abraços frios. Toda a frieza cabível no ínfimo espaço entre aqueles seios palpitantes e meu tórax esmagador.
Violentamente sedutoras essas antíteses românticas não deixavam se ser rosas, rosas que poluem o jardim de qualquer poeta. Com toda a sua graça infame, seu vazio repleto de um conteúdo inútil, elas se multiplicam na velocidade da ignorância, na mesma freqüência em que a ganância corrompe e distorce qualquer chance de sobrevivência. Rosas vivas, rosas para os mortos. Acho que tudo começou nesse ponto, na intercessão entre o jardineiro solitário e a rosa ordinária.
Se possível esse texto deveria ser lido de trás pra frente, da mesma forma como elas se destroem, desabrochando de fora para dentro.