Fuga.
Deixei que as dores sufocassem,
A prima aurora de meus dias
Deixei morrer na alma a imagem
Das mais amargas elegias.
Como pranteiam então meus versos,
Pois eu sei que jamais amarei
Sou apenas um poeta desconexo
Da realidade que eu mesmo criei.
Não vou deixar que olhos de ousadia,
Nem mesmo teu nome seguido de astro
Venha buscar no meu peito o espaço
Que duramente endureci com poesia.
Não vou deixar-me amar denovo,
Pois sou o mais baixo e louco
Sou o último estágio de carbono
Na mais pobre molécula do outono.
Sou o último da espécie utópica,
Que encerra sua jornada valorosa
Através dos dias, amargos infinitos
Através dos amores, eternos castigos.
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