quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Alleine.

A dor e a distância.
Sobre um coração que foi capaz de amar.


Mais uma sonata, mais um funeral.
Mais uma noite espectral
Se arrastando através das sombras
Escuridão de um ideal.

Será que algum dia eu fui mais normal?
Desses que conseguem sentar-se a mesa,
E discutir sobre o jornal.
Será que ouve sinceridade nessa reza?

E enquanto jantamos o nosso silêncio
Meu coração bruta do fundo da ignorância
Como um sedento desavisado engole o veneno
E o mundo me arrasa com sua ânsia
De ver sempre algo ardendo...

Será que algum dia eu fiz parte?
Desse mundo cruel e sem disfarce
Será que eu fui sincero,
Ou estava apenas esperando a morte
Chegar mais perto?

Eu me sinto tão distante,
Como o pássaro que desafiou o firmamento
E ao subir, esqueceu o que o levava adiante
E provou a doce queda do sofrimento.

Será que eu já fui mortal?
Será covardia perguntar
Se meus versos já provaram algo doce,
Tão doce quanto a água do mar.

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