Eu não consigo aguentar essa lamúria
Enquanto incontáveis lágrimas correm
Sempre trancado na maldita penumbra
Nunca fui nem serei lembrado por ninguém.
Não consigo mais aguentar, eu juro
Esse maldito sofrimento contínuo
Nada cessa a maldita dor do peito
Sou escravo dos meus desejos
Mas eu juro, que eu nunca quis muito
Quis apenas ser amado.
Porque meu Deus? Porque essa tortura?
Qual é o sentido dessa eterna penumbra
Meus sentimentos não veem a luz da cura
Sempre são breves passagens de felicidade
Para ser novamente entregue ao abate.
Ah meu Deus, me explica esse noturno
E sombrio canto em que fui deixado
Jamais pedi da vida mais que uns amigos
Um verdadeiro amor e uns trocados.
Já não sou mais jovem meu Senhor,
Pois o peso das decepções turvou meus olhos
Se na aurora da minha vida eu só provei a dor
Porque continuar vivendo como os outros?
Senhor, me tire a vida se for melhor
Pois eu não aguento mais amar
E ser deixado às cinzas, ao pó
Sempre que o amor queima até acabar
Eu sou sempre o último.
Não entendo, não entendo nem nunca entenderei
O porque dessa vida ter me coroado como Rei
De um castelo sombrio e esquecido no nada
Queria eu não ser realeza, preferia ser um pierrô
Mas eu queria ao menos saber o que é amor meu Deus!
Entenda meu desespero sagrada prece
Faça com que esse peito que escurece
Sinta um pouco de alívio na realidade
Meus sofrimentos ultrapassam a idade
Sou velho, sou turvo, sou frio
Sou apenas um poeta sombrio.
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