O caminho para casa já não era o mesmo, seu olhar cabisbaixo não fazia companhia ao seus passos longos porém incertos. Não havia aquela sensação de meio-dia, não havia sequer força para caminhar. Cada movimento era uma tentativa falha de não ir, embora soubesse que não poderia voltar. Seu olhar dizia tantas coisas, mas não dizia tchau. Seu olhar pedia outro olhar como um pobre pede uma esmola, como um viajante pede um abrigo.
Viajante, sim talvez seja essa a melhor palavra para descrever a sua vida. Por quantos lugares já havia passado, quantos corações suas palavras já tinham habitado e ainda sim não se sentia completo, longe disso, continuava mudando buscando incessantemente a cura para suas chagas, procurava o elixir que finalmente mataria a sua sede. Se lhe perguntasse sobre o que haveria de vir, ele o negaria com todas as forças. Como podem braços tão singelos serem como cordas a buscar o fundo de um abismo, ou o alto de uma montanha. Como pode um gesto tão gentil e simples lhe roubar toda a postura.
Sua solidão, acuada num canto sequer protestou. Que perdido, ele que raramente sustenta um sorriso. Que desconcertado ele que estava tão habituado ao gosto do cigarro, não estava pronto, não era controlável como tudo que ele fingia ter controle. Ele, senhor das palavras perdera a fala. Sibilou duas ou três letras até abraçá-la, ainda sem ar. Silenciou-se irresoluto com algo nos lábios mais doce que a própria poesia.
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